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Dinosaur Jr., a invasão jurássica em São Paulo que fez uma testemunha dizer: “foi o som mais alto que já ouvi”

Passados 14 anos desde sua última vinda ao Brasil, o Dinosaur Jr. voltou para a capital paulista, desta vez para uma apresentação única, em 10 de novembro no Balaclava Fest.

29 de novembro de 2024

Texto: 

Vitor Forini (@_.ilegas)

Imagens: 

Heloísa Macagnan (@cerealsopa)

Edição de texto: 

Thomaz Kravezuk (@eusoukravezuk)

O grupo foi headliner do diversificado domingo do Balaclava Fest, que contou com uma seleção rica de bandas para um público igualmente plural. No palco, Ana Frango Elétrico, Raça e Paira, além das gringas BadBadNotGood, Water From your Eyes e Nabihah Iqbal. Na galera, figuras como Jair Naves, do Ludovic, e Lou, do Walfredo em Busca de Simbiose misturavam-se harmonicamente.

O espírito de exploração que vagava pelo Tokio Marine Hall pareceu uma estrada bem pavimentada para o encerramento dos meninos de Massachusetts do Dinosaur Jr.

14.610 dias em 18 faixas

Já se vão 40 anos do álbum de estreia, “Dinosaur”, lá em 1985, que conta com sons entre os quais “Mountain Man” e “Gargoyle”. A essência Hardcore que marcou o início do conjunto não foi esquecida. Mas também houve espaço para músicas do seminal “You're Living All Over Me”, de 1987, como "The Lung", "Sludgefeast" e a visceral "Little Fury Things" — álbum que consolidou a banda no cenário indie e capturou os holofotes de nomes como Sonic Youth.

Patrick Murph se manteve na banda durante todo esse tempo.

Quando “Bug”, de 1988, entrou no set através da clássica "Freak Scene", o público vibrou. Esse disco, que marca tanto o auge criativo da banda quanto o desgaste da relação entre o guitarrista J Mascis e o baixista Lou Barlow, foi uma ponte perfeita para os anos 90. De “Green Mind”, lançado em 1991, a energética "The Wagon" representou a primeira fase sem Barlow, enquanto o aclamado “Where You Been”, de 1993, veio com os hits "Out There" e "Start Choppin", consolidando o Dinosaur Jr. como referência além do circuito alternativo.

"Feel the Pain", de um mais acessível álbum de 1994, “Without a Sound”, trouxe uma dose de nostalgia, ao mesmo tempo que mergulhamos nos retornos triunfais da banda nos anos 2000. Músicas como "Been There All the Time" e “Crumble”, do álbum Beyond, e "Pieces", do intenso e psicodélico “Farm”, lançados respectivamente em 2007 e 2009, mostraram que o trio manteve seu vigor criativo após o reencontro. Fato esse reforçado com a execução da grandiosa e quase épica "Garden", do mais recente “Sweep It Into Space”, provando que Dinosaur Jr. continua relevante e inovador, mesmo após quase 40 anos.

O setlist, para além de uma celebração de sua discografia, foi um reflexo das batalhas e reconciliações que definiram a história do jurássico grupo. Da saída e retorno de Lou Barlow às experimentações sonoras que moldaram o gênero, cada música apresentada trouxe consigo um capítulo da história destes dinossauros que não foram extintos.

Dinosaur e os seus Júnior

A Balaclava Records foi quem trouxe para si a responsabilidade de trazer dessa vez o Dinosaur Jr. ao Brasil. O selo musical de São Paulo, que também atua como produtor cultural, promove artistas independentes tanto do país quanto do exterior. A curadoria é voltada a sons alternativos, como Indie Rock, Dream Pop, Experimental e Eletrônica. 

A conexão entre Dinosaur Jr. e as outras bandas presentes no Balaclava Fest vai além de meros estilos musicais: é uma questão de atitude artística e liberdade criativa. O trio bay-stater, conhecido por explorar os limites do Rock Alternativo com uma combinação de distorções intensas, melodias emotivas e uma abordagem quase punk de "faça você mesmo", inaugurou um caminho que ecoa em diferentes gerações de artistas.

O Balaclava Fest, mais do que um evento musical, foi uma comunhão entre gerações e estilos que compartilham um mesmo ideal: a independência e a experimentação como fundamentos da criação artística. Sob esse prisma, Dinosaur Jr. não é só um headliner, mas também um ponto de convergência de uma celebração que homenageia o passado enquanto pavimenta o futuro da música alternativa.

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